terça-feira, janeiro 10, 2012

Do egoísmo à hipócrisia

Nicole Kidman


Nos dias que correm imperam cada vez mais o egoísmo e a hipócrisia.
A simpatia, a consideração e o respeito são substituídos pelo pensar em si próprio e nos seus desejos, quando o outro vira costas. Nessa altura, opta-se por não pensar muito no assunto, assim a consciência e os sentimentos de culpa não pesam. É isso mesmo, o que se quer agora é a desconsciencialização dos nossos actos, e os outros que se lixem.
Desde que no quadro esteja tudo bonitinho e sorridente, está tudo bem. Fingimos ser todos amiguinhos e gostar todos uns dos outros, e o mundo é tão lindo e maravilhoso.
Por favor!...Porque não assumir as coisas como elas são? As capas por melhor qualidade que sejam um dia caem, caem sempre. Só assim, com dificuldades e verdade, se fortalecem os laços e se considera o que realmente importa.
Eu gosto de transparência, de pessoas que não se escondem atrás de subterfúgios, que não se inocentam através de meias verdades, ou que se desresponsabilizam. Sinceramente, não tenho paciência.

Inútil


Há dias em que me sinto uma inútil. E simplesmente, deixo-me inundar por um sentimento de frustração.
Não consigo produzir, nem ter ideias. E parece que nunca vou conseguir chegar mais longe. Que não tenho essa capacidade, de fazer bem as coisas e de impressionar.
Parece que nunca vou conseguir o que verdadeiramente almejo. Parece que fico sempre no quase.


Hoje

Elle Fanning



Hoje tive um tempinho no trabalho....E tive a rever o meu caderno de notas que tenho desde que comecei a trabalhar...Cheio de notas das tarefas que tenho de fazer. Apontamentos sobre determinadas coisas que aprendo. E também desabafos...
Estes últimos são mais que muitos...Uns melhores, outros piores. E que me ajudam agora, a analisar com mais clareza coisas que pensei/senti há um tempo atrás. E traduzir um bocadinho disso no post(s) que se segue(m).

No amor, somos todos meninos....

Laetitia Casta e Lee Pace


"No amor, somos todos meninos. Meninas, pequenos, pequeninos. Sentimo-nos coisas poucas perante a glória descarada de quem amamos. Quem ama não passa de um recém-nascido, que recém-nasce todos os dias.
Hoje não é diferente. Hoje é o dia, no ano de 2000, em que tive a sorte de me casar com a Maria João, cega, linda e enganada nesse momento como até agora, graças a um Deus que privilegia os que não merecem.
Os casamentos estão para os números e para a sorte como as rifas e as lotarias. Havendo amor, passa-se a semana a pensar que se vai ganhar e depois há um dia em que se perde - quando há discussões - seguido de mais uma semana com uma nova esperança. O amor está lá sempre, quer se ganhe ou se perca. O amor corresponde ao jogo em si. Há jogos sucessivos com resultados diferentes, mas o jogo é sempre o mesmo. Aos jogadores apenas se pede o impossível, facilmente concedido: acreditar que podem ganhar. Estamos casados há 11 anos. Passaram num instante. Pareceram mais do que 11 dias, mas menos, muito menos do que 11 meses.
Dizem que os números não querem dizer nada. Mas querem. Nós é que nem sempre queremos que eles nos digam o que querem dizer. A Maria João e eu somos o número 11. Cada um, para ser 11, é inseparável. Sozinho eu era só um. Meramente somados, não seríamos mais do que dois. Onze somos nós, um ao lado do outro, um número único, que tem uma tabuada reconfortantemente previsível, geminada e ecóica. Ama-nos sempre, Maria João!"


Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (30 Set 2011)'

More or less


segunda-feira, janeiro 09, 2012

Junto ao mar



Ontem dei a minha primeira corridinha do ano. Junto ao mar, como eu tanto gosto...
Depois de 30 minutos desci até à areia, descalcei-me e caminhei pela areia molhada, sendo de vez em quando apanhada por uma onda salgada e refrescante.
Caminhei, caminhei e caminhei como se não houvesse fim, até que me decidi a parar, sentar-me na areia isolada dos que por ali andavam e contemplei o mar.
E aí, sozinha, desabafei com o mar, libertei tudo o que me passa pela cabeça e pelo coração. Ele, o melhor ouvinte, a quem realmente posso segredar tudo e que não julga, que apenas devolve ondas que vêm e voltam enebriando-me com o seu cheiro e o seu som únicose que a pouco e pouco me acalmam e me secam as lágrimas.

terça-feira, janeiro 03, 2012

The Past

Melanie Laurent
No passado, todos temos pessoas especiais, umas mais que outras. Pessoas que de alguma forma nos marcaram com alguma intensidade. E que se o universo tivesse conspirado de forma diferente, talvez a sua história connosco tivesse sido diferente. Talvez. Mas não foi, por algum motivo não foi, e não adianta andar com revivalismos. O passado deve ser isso mesmo, passado, uma doce memória que fica. Só assim para nos ligarmos ao futuro e ao presente da forma mais genuína possível. Não vale a pena andar com "what if's" para trás e para a frente. As coisas têm o tempo próprio para acontecer....E quando passa o seu tempo....Dá-se lugar a novas histórias, e a novas vontades. E deixa-se as antigas, para viver e respeitar as novas.

Todos os anos

Todos os anos, na altura da passagem de ano reflicto no ano passou, o que vivi, o que não vivi,...os sonhos que concretizei, as pessoas que conheci,.....e reflicto no ano que vai vir, e no que ainda me falta viver.
Este ano não consegui ainda fazê-lo, tal tem sido o desgaste emocional em que me encontro.
Às vezes deixa-mo-nos chegar a situações limite em que temos de ponderar decisões muito difíceis, isto porque  por mais que se tenha tudo, não podemos abdicar de nós mesmos, daquilo que somos, e daquilo que valorizamos.
Mas quando ouvimos desculpa, palavras de arrependimento e genuína vontade de alterar certas coisas, temos de dar outra outra oportunidade, e deixar falar mais alto os verdadeiros sentimentos.
Para já, é difícil, tem sido muito difícil, especialmente porque a minha cadeia de pensamento é extremamente activa, aliada ao raciocínio matemático que tenho e à excelente memória e intuição. A seu tempo, todos os pontos nos i's serão colocados, espero, e espero não ficar novamente numa situação de ter de decidir.

E que 2012 seja aquilo que esperamos dele, que tenha dificuldades como todos os anos, mas que sejam ultrapassadas como se da vitória numa guerra se tratasse, que  venham as surpresas boas, que nos deixam dormentes de felicidade.

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Feliz Ano Novo